Quem foi Vasco da Gama?
O terceiro de seis irmãos, a tradição afirma que Vasco da Gama terá nascido na vila de Sines, à roda de 1468 ou 1469, sendo filho de Estevão da Gama, alcaide-mor de Sines, e Isabel Sodré, bem como neto de um homônimo Vasco da Gama, juiz em Elvas. Os seus antepassados mais remotos, todos com costados no atual Alto Alentejo, tinham profundas ligações à Ordem de Avis, muito embora o seu pai e tios se achassem vinculados aos cavaleiros de Santiago – sendo que o ingresso nestas ordens monástico-militares constituía um importante meio de progressão social no Portugal quatrocentista e quinhentista.
Pouco se conhece da juventude de Vasco da Gama; porém sabe-se que em 1480 foi admitido na Ordem de Santiago, tendo recebido a tonsura (mas não quaisquer ordens sacras); mais tarde, é mencionado por Garcia de Resende, na Crónica de D. João II, como fidalgo d’el-Rei, posição que não lhe seria desmerecida, tendo em conta os altos serviços prestados, não apenas por si (participando numa operação de confisco de navios franceses no Algarve), bem como pelos seus antepassados mais diretos (que combateram ao lado de D. Afonso V na Guerra da Sucessão de Castela); terá conservado sempre o favor de D. João II, ao contrário de seu pai, ligado à Casa do Duque de Viseu – assassinado pelo Rei na sequência da conjura de 1484 –, e que estranhamente desaparece da documentação após aquela data (talvez caído em desgraça junto do Príncipe Perfeito). É na conjugação destes vetores (ao que se deve acrescentar o próprio perfil de Vasco da Gama – mormente a sua diligência e as suas capacidades de chefia, adequadas ao desempenho de uma missão com contornos políticos, militares, diplomáticos e comerciais bem definidos, ao que se junta, no dizer de Damião de Góis, o fato de ser «homem solteiro e de idade para sofrer os trabalhos de uma tal viagem») que podemos encontrar a explicação para a sua nomeação para o comando da primeira armada destinada à Índia, já que, pela lógica senhorial, a capitania da expedição deveria pertencer ao primogênito – o seu irmão mais velho, Paulo da Gama. Curiosamente, não se lhe conhecem quaisquer dotes na área da navegação anteriores à expedição de 1497-99 (embora Armando Cortesão tenha aventado a hipótese de Vasco da Gama ter já comandado expedições de caráter sigiloso no Atlântico Sul, entre 1488 e 1495, mas sem provas que o sustentem), pelo que, muito provavelmente, apenas as qualidades pessoais, a sua posição social e a sua ligação ao monarca (e não o conhecimento da arte de navegar) podem fazer luz sobre os motivos por trás de tal nomeação.
De resto, ao que parece, a sua escolha para o comando da frota teria ainda sido feita pelo próprio D. João II, tendo D. Manuel limitado-se a confirmar a vontade do defunto cunhado (não sendo ignorada a hipótese de ter agido pressionado pelas clientelas da Ordem de Santiago – à qual Vasco da Gama pertencia –, cujo mestrado estava nas mãos do bastardo de D. João, D. Jorge de Lencastre, o concorrente de D. Manuel à Coroa, e que seu pai em vão tentara legitimar). Não deixa, nesse sentido, de ser significativo que, em Dezembro de 1495, meses após a morte do monarca, Vasco da Gama receba, das mãos de D. Jorge, as comendas espatárias de Mouguelas e Chouparia; igualmente significativo é que, em 1497, Vasco da Gama tenha sido feito cavaleiro da Ordem de Cristo pelo Rei, o que poderá talvez ajudar a explicar os futuros desentendimentos entre aquele e a Ordem de Santiago.
Não obstante a oposição demonstrada pelos procuradores às Cortes de Montemor-o-Novo de 1495-96, a expedição destinada à Índia foi avante, armando-se uma frota constituída por um navio de transporte de mantimentos, a caravela Bérrio (sob a chefia de Nicolau Coelho), a nau S. Gabriel (capitaneada por Vasco da Gama e pilotada por Pêro de Alenquer, talvez o mais experimentado piloto luso da época) e a nau S. Rafael (comandada por Paulo da Gama). Partindo do Restelo em 8 de Julho de 1497, a armada chegou a Calecute quase dez meses depois, em Maio de 1498, não sem dificuldades – designadamente as colocadas pelo regime de ventos e correntes do Índico (então desconhecidos dos Portugueses), bem como pelas ciladas que lhes foram armadas em Moçambique e Mombaça; contudo, é também digno de nota, pela positiva, o auxílio que um experimentado piloto muçulmano (o qual a exegese histórica já demonstrou não ser o famoso Ahmad ibn-Majid, como durante muito tempo se supôs) forneceu à expedição a partir de Melinde. Ido em busca de “cristãos e especiarias” – como terá afirmado um dos membros da tripulação desembarcado na cidade –, cedo Vasco da Gama contou com a oposição dos mercadores muçulmanos aí estabelecidos, que o impediram de estabelecer laços diplomático-comerciais pacíficos com o Samorim. Após alguns conflitos (que culminaram num pequeno embate naval ao largo da costa), iniciou-se a penosa viagem de retorno a Lisboa em Agosto de 1498, decidindo-se, ainda no Índico, pela destruição da S. Rafael, pelo mau estado em que se encontrava e por míngua de tripulantes; já dobrado o Cabo da Boa Esperança, Vasco da Gama foi obrigado, na escala que fez em Cabo Verde, a fretar uma caravela para substituir a S. Gabriel, na qual conduziu aos Açores o seu irmão Paulo, gravemente doente, acabando este por falecer na Terceira, chegando somente a Lisboa em fins de Agosto ou inícios de Setembro de 1499 (cerca de um mês depois de Nicolau Coelho, que comunicara em primeira mão a notícia da chegada à Índia a D. Manuel).
A viagem inaugural daquilo que viria a ser conhecido como a “Carreira da Índia”, abrindo uma rota direta entre a Europa e o Oriente através da circum-navegação da maior parte do continente africano, proporcionaram a Vasco da Gama a concessão de inúmeros benefícios e prebendas: o monarca agradecido emite um alvará (24 de Dezembro de 1499) em que lhe promete doar Sines, pertença dos espatários (desde que obtivesse a aprovação do Papa e de D. Jorge, algo que nunca se verificará, pela inflexível oposição demonstrada pela Ordem de Santiago); a 10 de Janeiro seguinte, é-lhe conferido o direito (extensível aos sucessores) a usar o título de Dom; mais, é instituído na sua pessoa (e na dos descendentes) o cargo de Almirante do Mar da Índia (por contraponto ao Almirante do Mar-Oceano, criado pelos Reis Católicos em proveito de Colombo), com as mesmas honras, rendas e privilégios inerentes ao de Almirante de Portugal.
Entretanto, Vasco da Gama contrai matrimônio com Catarina da Silva, filha do alcaide de Alvor, de quem virá a ter sete filhos, entre os quais se destacam D. Francisco da Gama (2.º Conde da Vidigueira e estribeiro-mor do reino), D. Estevão da Gama (capitão de Malaca e governador da Índia) ou D. Cristóvão da Gama (também capitão de Malaca, capturado em combate no socorro ao Preste João e martirizado na Abissínia).
Em 1502 inicia a sua segunda viagem ao Oriente, pouco após o regresso da expedição de Pedro Álvares Cabral; ao comando desta armada destaca-se por haver submetido, pelo caminho, a cidade de Quíloa (na costa oriental africana), fazendo-a tributária do Rei de Portugal (que, desde a viagem de 1497-99, justamente se arrogava o título de «Senhor da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia»). Ao longo dos anos subsequentes foi cumulando inúmeras tenças, sucessivamente confirmadas por D. Manuel e D. João III; isto para além das diversas permissões para trazer da Índia as mais variadas mercadorias isentas de taxas e fretes.
Em 1503, é expulso de Sines pelo Mestre de Santiago, não podendo entrar na vila sem sua autorização prévia; renuncia às suas comendas santiaguistas e fixa-se em Évora, donde parte em 1515 para Nisa. Em 1519, enfim, estabelece-se na Vidigueira, após um escambo efetuado com D. Jaime, Duque de Bragança – Vasco da Gama cedia a D. Jaime os 400 mil reais da sua tença acrescidos de 4000 cruzados de ouro pela doação, a título perpétuo, das vilas da Vidigueira e dos Frades, sendo investido pelo Rei na alcaidaria-mor das mesmas e agraciado com o título de Conde da Vidigueira como recompensa pela sua vasta folha de serviços.
Em 27 de Fevereiro de 1524, é nomeado – corolário de toda uma vida ao serviço da Coroa – sexto governador do Estado Português da Índia (o segundo com o título de Vice-rei, depois de D. Francisco de Almeida); parte pela terceira vez para o Oriente, à frente de uma portentosa armada com três mil homens, com o objetivo expresso de solidificar a presença portuguesa na Índia através da moralização de uma administração cada vez mais corrupta, que tanto havia proliferado durante o mando do seu predecessor imediato, D. Duarte de Menezes (vendo-se mesmo obrigado a usar ameaçar da força para destituir o antigo governador e compeli-lo a regressar à metrópole). Contudo, o seu governo efetivo duraria apenas três meses, pelo que não chegou a tomar medidas de alcance mais significativo; viria a falecer em Cochim, na véspera de Natal de 1524, tendo aí sido primitivamente enterrado; mais tarde foi trasladado para a metrópole e sepultado na capela que instituíra na Vidigueira pouco antes de partir para Oriente. Os seus restos mortais seriam por fim depositados na Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Belém, em Lisboa, em 1880, onde repousam até hoje.
A Colônia Portuguesa no Brasil do Século XIX
Com a decadência da mineração, no final do século XVIII, a imigração portuguesa teve uma queda, mas voltou a crescer no início do século XIX com a vinda da monarquia portuguesa. Após a Independência do Brasil, em 1822, criou-se no país uma certa xenofobia contra os portugueses, ficando a imigração decaída. Mas, com o passar do tempo, o fluxo de imigrantes portugueses para o Brasil, ao invés de diminuir, cresceu drasticamente. Em grande parte, isto se deve ao fim do tráfico de escravos africanos em 1850. Com o fim do tráfico, adveio uma carência de mão-de-obra no Brasil, e ao mesmo tempo ocorreu a expansão das plantações de café no país, necessitadas de trabalhadores. O governo brasileiro começou um processo de substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalho assalariado de imigrantes europeus.
A partir da metade do século XIX, a imigração portuguesa no Brasil tomou caráter quase que exclusivamente urbano. O perfil do imigrante português também se alterou: antes, a maioria era composta por homens solteiros. A partir do final do século XIX, as mulheres portuguesas também chegaram ao Brasil em grande número. As crianças menores de 14 anos eram 20% dos imigrantes. A situação econômica também se alterou. Na época colonial, muitos portugueses ricos e até nobres migraram ao Brasil. No final do século XIX, os que chegaram eram extremamente pobres e sem escolaridade, vindos de aldeias do interior de Portugal.
As cidades do Rio de Janeiro e São Paulo receberam a maioria desses imigrantes de Portugal. Uma expressiva parcela dessa população era oriunda de regiões interioranas do norte de Portugal, notadamente entre Beira Alta e Alto Trás-os-Montes e eram, em sua maioria, extremamente pobres, vindos em família, com grande número de mulheres e crianças. Ao chegarem ao Brasil, procuravam parentes ou se instalavam em pequenos cortiços. A maior parte desses imigrantes se dedicou ao comércio: pequenas vendas e padarias, chegando ao ponto de dominarem essas duas atividades em várias regiões do Brasil. Outros, tornaram-se operários nas nascentes indústrias brasileiras.
O Remo no Rio de Janeiro
O esporte na cidade do Rio de Janeiro tem suas bases nos clubes de remo. A fundação dos clubes quase sempre se assentava na concretização do sonho de associação de jovens e abnegados praticantes que tinham o interesse de ter um espaço para sua prática esportiva, desta forma, vários clubes surgem na cidade, nos mais diversos bairros. A maior parte destes clubes surge nos idos entre os séculos XIX e XX, quando a cidade vive momentos de grandeza e o esporte simboliza um novo modo de vida e o remo caracterizava um novo tipo de homem, o Spostsman, que além de elegante e clássico, se mostrava também viril e atlético.
O primeiro clube a surgir foi o Grupo dos Mareantes, em Niterói, que realizou sua primeira e única regata em 3 de dezembro de 1851. Essa foi a primeira regata do Brasil. No ano seguinte, uma de suas embarcações naufragou, causando a morte do remador Américo Silva, o que acabou levando à dissolução do clube.
Em 1862 surgiram mais duas associações: o Grupo Regatas e o British Rowing Club. A Marinha também apoiava o remo e realizava regatas. Em 1862, realizou duas, sendo que a de 14 de julho de 1862 foi assistida por D. Pedro II (que presenciaria outras, no futuro), sua corte e grande público. Em 1863, realizou outra, em que surgiram novos tipos de barcos (a seis remos) e estrearam muitos remadores. Em 1867 foi criado no Rio o Club de Regatas, que durante dois anos atuou na Enseada de Botafogo.
Somente em 9 de agosto de 1874 seria fundado o clube que marcaria definitivamente o estabelecimento do remo na cidade: o Club de Regatas Guanabarense.
A primeira tentativa de criação de uma entidade representativa dos clubes de remo ocorreu em 1895, quando Botafogo, Union de Canotiers, Luiz Caldas, Gragoatá e Icarahy fundaram a União de Regatas Fluminense. Entretanto, a iniciativa não vingou.
Em 1897, o Botafogo, Gragoatá, Icarahy, Flamengo, Veteranos do Remo e Praia Vermelha novamente tentaram fazê-la funcionar, desta vez com sucesso. Seu primeiro presidente foi o Capitão de Mar e Guerra, Eduardo Ernesto Midosi.
Com regulamentos rígidos e promovendo regatas bem organizadas, a União foi se afirmando e ganhando espaço. Cada vez menos regatas eram realizadas sem sua aprovação e muitos clubes passaram a filiar-se à entidade. A União controlava o crescimento dos clubes. Para se filiarem, precisavam ter estatuto, diretoria e no mínimo três barcos. Eram obrigados a fornecer o nome dos barcos e o número de sócios. A União também estabelecia as categorias (profissionais, amadores e novos), regulamentava os barcos e até os uniformes, podendo ainda aplicar punições aos que descumprissem o Código.
Em 1898, a União de Regatas Fluminense promoveu o 1º Campeonato do Rio de Janeiro em baleeira a quatro remos, corrido em 1.600m e vencido pelo barco Alpha, do Grupo de Regatas Gragoatá. Esteve presente na ocasião o Presidente da República, Dr. Prudente de Moraes, um grande entusiasta do remo.
Fontes: Instituto Camões – Wikipedia – FRERJ – IVE
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